Não,eu não sou um elemento de série com defeitos permanentes e com "recalls"infinitos.Por mais que pareça.Vendo a vida em ciclos viciosos e previstos.Batidinhas nas costas dizendo que é assim mesmo.Gravando no meu subconsciente a ficar a vontade na bosta,pois é onde as pessoas e eu mesma achava que era meu lugar mais "normal".Maldita genética,poderia usar para me consolar,um álibi. Olho para trás e digo que orgulho,pelo menos de desgosto meus pais não iram morrer,estou viva mais um ano e não penso em ir embora tão cedo,agora não mais. Se pegar para criar!Já passei do intelecto daqueles que acham que estou segura somente viva e medicada.Não é a doença que fala,sou eu em retrospectiva,sabendo do discernimento que tive que apurar para não duvidar dos próprios sentimentos.Aprendi que preciso de legitimidade em tudo que faço,pois cabeça e coração andam no mesmo corpo.Busco além,porque sou o meu além.Além de fatos,diagnósticos,remédios,das minhas crenças limitantes....
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Dinheiro, sexo e futebol
"O gol é o orgasmo do futebol, disse Nelson Rodrigues. Mas o gol não é o todo do futebol. O gol, aliás, é o fim do futebol. Cada vez que o gol acontece, começa tudo de novo. Que nem orgasmo. O orgasmo é o fim da transa. Quando o orgasmo acontece, começa tudo de novo (sabe lá depois de quanto tempo, mas começa!). O que quero dizer com isso é que a bola não é feliz apenas quando estufa as redes em gol. Uma bola feliz é uma bola em jogo. Uma espalmada de mão trocada, uma pancada de três dedos no travessão, uma matada no peito do zagueiro. Imagino como era feliz a bola enquanto Pelé olhava para ela e sussurrava segredos durante o minuto de silêncio. Uma bola feliz é uma bola em jogo. E se o orgasmo está no gol, a graça está no jogo. Assim como o ápice é o gozo, e o prazer é a transa. Essa era a diferença entre o Garrincha e os caneleiros de plantão. O Garrincha gostava do gol, mas gostava também do jogo. Não valia apenas empurrar para dentro do gol (sem trocadilhos), tinha que ser por...
semana clarice.
A lucidez perigosa Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Clarice Lispector

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